Grande abraço ao Rio Ave F.C. (artigo de Aníbal Styliano, 43)

ESPAÇO UNIVERSIDADE 01-01-18 9:46
Por Aníbal Styliano

Até pela proximidade geográfica, o Rio Ave é um clube onde sempre tenho bons amigos. Joguei com alguns e também joguei contra o clube. Gente do mar, pessoas frontais, com garra e dignidade, procurando superar as ondas mais difíceis, Vila do Conde é referência da nossa região Norte a vários níveis, do cultural ao desportivo, do político ao social, da dinamização às festividades, do mar ao rio, da pesca às corridas de automóveis, do desporto à formação, do património e tradição à renovação urbana e gastronomia, também ao futebol.

Habituados a enfrentar dificuldades e com uma cultura de solidariedade excecional, é gente vertical. Numa época onde o “canibalismo mediático” e os “reality shows” vão destruindo valores e princípios (basta mudar de canal e evita-se facilmente esse contágio), surge também a calúnia anónima, gratuita e cobarde que enlameia inocentes e esconde os seus autores. Como é possível encher noticiários e páginas de imprensa com assuntos sobre os quais a justiça ou já arquivou ou se estão em fase de investigação nunca deveriam ter sido publicitados enquanto não há certezas.

O clube e os jogadores mencionados num caso que ocupa o país, eventualmente desviando atenções de outros que poderiam merecer acompanhamento diário, estão a ser vítimas de uma terrível pressão com consequências devastadoras nas vidas privadas e profissionais. Quem beneficia com esta situação? Essa talvez uma das perguntas mais prementes. Por que razão se voltou ao mesmo, passado quase um ano? Já pensaram como estão a viver os atletas? Será que o desempenho na Liga, da equipa do Rio Ave, excelente e reconhecido por todos, incomoda alguém? Haverá lutas de interesses por motivos competitivos?

Não sei, nem pretendo saber antes de a Justiça julgar, condenar e tudo ficar provado. O prejuízo causado aos jogadores (não condenados) e ao clube deverá ser objecto de posterior queixa-crime para indemnizações avultadíssimas… As calúnias, infelizmente, perpetuam-se por gerações e são armas de arremesso sistematicamente utilizadas para vinganças. O vosso êxito, provada a inocência, com uma queixa-crime desse género poderá ser o início para a indispensável mudança de comportamentos e de responsabilização no futebol e na sociedade.

Os culpados, sejam quais forem, devem ser penalizados justamente. As calúnias são lixos que nunca sairão também da pele de quem as lança para o ar. Aos jogadores, a minha solidariedade e desejo que consigam provar definitivamente a vossa inocência. Ao clube e seus dirigentes, o meu apoio pela forma como tem sabido gerir a situação e o crescimento do clube, particularmente na formação. Ao mister, meu bom amigo José Miguel Cardoso, um grande abraço e parabéns pela forma como prestigias o futebol diariamente, graças a uma enorme competência e sabedoria.

Saiam vitoriosos e confiantes, são os meus sinceros votos para todos vós no ano de 2018. A verdade é sempre o maior triunfo!

Aníbal Styliano é Professor licenciado em História; treinador de futebol nível IV UEFA Pro Licence; diretor pedagógico da Associação de Futebol do Porto; membro da comissão de formação da Federação Portuguesa de Futebol e do conselho consultivo da Associação Nacional de Treinadores de Futebol