Pedro Rodrigues é o novo World Sailing Events Manager (artigo de José Manuel Leandro, 4)

ESPAÇO UNIVERSIDADE 29-09-17 10:6
Por José Manuel Leandro

Mais um português de competência mundialmente reconhecida no desporto forçado a sair de Portugal. Pedro Rodrigues vai integrar os quadros da Federação Internacional de Vela (World Sailing) como Responsável de Eventos depois de um trabalho notável realizado na Federação Portuguesa de Vela, como Diretor Técnico Nacional entre 2011 e 2016, integrando um arrojado projeto da Direção anterior de reorganização e credibilização da Vela portuguesa agora a afundar-se.

Ainda recentemente Fernando Kuo, um jovem treinador português integrado e formado no âmbito do programa de Alto Rendimento e Projeto Olímpico entre 2012 e 2016 da Direção anterior da FPVela, com participações nos JO de Londres2012 e do Rio2016, demitiu-se também desta FPVela para ir trabalhar para a Federação de Vela de Singapura que irá usufruir do nosso investimento.

Enquanto os portugueses continuam à espera de uma nova agenda para o desporto entre outras promessas vãs por parte das forças políticas com assento no Parlamento português, continuamos a assistir a situações como estas resultantes da fórmula paternalista de gestão pública do desporto em Portugal que premeia a mediocridade e a incompetência por forma a garantir a continuidade de um unanimismo imposto em torno de pequenos interesses que procuram perpetuar-se.

Pedro Rodrigues dirigiu tecnicamente o projeto da Direção anterior da Federação Portuguesa de Vela que colocou nos Jogos Olímpicos de Londres 2012 a maior comitiva olímpica de sempre da Vela portuguesa com treze atletas e dois diplomas conseguidos, apesar do financiamento público ter sido cortado ilegalmente à FPVela em 2010 e 2011. Nos Jogos Rio2016 conseguimos colocar quatro classes e cinco atletas apesar das múltiplas dificuldades que mais uma vez nos foram impostas pela tutela pública do desporto.

Destaco ainda a conquista da medalha de prata nos Jogos Olímpicos da Juventude 2014 em Nanjing, China, por parte de Rodolfo Pires e cujo treinador foi o inevitável Pedro Rodrigues.

No final do mandato da Direção anterior da FPVela, em 20 de Outubro de 2016, cerca de vinte e cinco atletas estavam identificados pela equipa técnica de Pedro Rodrigues no âmbito do nosso Programa de Orientação Olímpica, agora completamente parado.

Também sob a responsabilidade do Pedro Rodrigues, a FPVela organizou em 2014 em Portugal, o melhor e maior Campeonato do Mundo da Juventude de Vela em quarenta edições realizadas de acordo com as instâncias internacionais do desporto da Vela.

Como parte da estratégia da Direção anterior da FPVela de credibilização de Portugal a nível internacional, altos cargos foram ocupados por portugueses nas mais altas instâncias da Vela internacional entre 2009 e 2016.

Um dos exemplos é precisamente Pedro Rodrigues que se tornou num dos técnicos internacionalmente mais conceituados de sempre da Vela portuguesa. Foi coordenador-técnico pela Federação Internacional de Vela de programas de promoção da Vela em Países emergentes, e é um dos Juízes de Vela mais conceituados do mundo.

Sob iniciativa do Presidente do Comité Olímpico de Moçambique, iniciei como Presidente da FPVela contactos em 2010 tendo em vista a formação da Federação Moçambicana de Vela. Daí à candidatura para integração da Vela nos X Jogos Africanos 2011 realizados naquele país irmão foi um pequeno passo e um enorme desafio apesar da completa indiferença do Governo português de então, cujo 1º ministro até visitou nesse período. O Pedro Rodrigues foi nomeado pela Federação Internacional de Vela o Delegado-Técnico da prova que decorreu de forma irrepreensível. Moçambique conseguiu uma medalha com um enorme orgulho para todos nós.

Temos ainda bem presente os problemas de poluição nos Jogos Olímpicos Rio2016 e o impacto mediático negativo que teve a nível mundial, pondo até em causa a realização das provas de Vela. Pois bem, foi nomeado pela Federação Internacional de Vela precisamente o Pedro Rodrigues como responsável da monotorização e limpeza da Baia de Guanabara durante os Jogos Olímpicos, que à frente de uma equipa que incorporava meios aéreos e navais efetuou um trabalho notável a todos os níveis fazendo com que todo o programa olímpico se realizasse sem qualquer problema.

Inacreditavelmente, os atos de “gestão empresarial” prometidos pelo novo Presidente da Federação Portuguesa de Vela, que tomou posse em 20 de Outubro de 2016, resumiram-se à perda de patrocínios, à redução do salário do Pedro Rodrigues entre outros expedientes de desmotivação com vista à sua demissão e destruição de uma estrutura competente, admitindo em seguida um novo responsável para o Alto Rendimento e Projeto Olímpico que nada produziu em seis meses mas que custou à FPVela doze mil euros mais IVA, contratando ainda treinadores sem habilitação legal para o exercício da profissão, como por exemplo o olímpico Gustavo Lima. Um membro da Direção da FPVela participou em regatas internacionais como atleta às expensas daquela entidade enquanto outro membro da mesma Direção mantem ações judiciais contra a própria FPVela, atropelos grosseiros aos Estatutos têm sido cometidos com o conhecimento das autoridades, entre outras ilegalidades e decisões desastrosas que estão a levar a FPVela novamente ao descrédito e à falência.

Perante este cenário, o Governo através do Secretário de Estado do Desporto entendeu ser este o momento para dizer que a Vela deve ser “modalidade de referência”, afirmando ainda, "Tenho francas expectativas que a vela esteja cada vez melhor”, tudo isto, enquanto pousava com o seu Adjunto para o retrato de família da seleção portuguesa no Campeonato do Mundo da classe 49er no Porto, juntamente com o treinador Gustavo Lima.

Estamos conversados!

José Manuel Leandro
Ex-Presidente da Federação Portuguesa de Vela