Selecções Jovens de Basquetebol Feminino salvam honra da casa (artigo de Eduardo Monteiro, 5)

ESPAÇO UNIVERSIDADE 24-06-16 5:4
Por Eduardo Monteiro

Pela primeira vez, na já longa história do basquetebol nacional, temos a participação de uma selecção nacional num campeonato do mundo. Desta feita, trata-se do 2016 FIBA Campeonato do Mundo Feminino Sub-17, que se realiza na cidade de Saragoça, da nossa vizinha Espanha, no período de 22 de Junho a 2 de Julho. Este evento internacional tem a participação de 16 equipas nacionais femininas dos cinco continentes apuradas nos respectivos campeonatos de Sub-16 realizados no ano passado.
Foram qualificadas para esta prova as seguintes equipas nacionais que estão distribuídas por quatro grupos:

Grupo A:

Nigéria, Letónia, Japão e Canadá.

Grupo B:

Austrália, França, China e México.

Grupo C.

USA, Itália, República Checa e Coreia.

Grupo D:

Espanha, Brasil, Mali e Portugal.

A soma das diversas classificações das selecções jovens femininas nas provas internacionais dos diferentes escalões etários, produzem uma pontuação que, devidamente ordenada, define o ranking mundial e continental dos países partipantes. As competições femininas que contam para a obtenção de pontos são :

- Campeonatos do Mundo Sub-17 e Sub-19;
- FIBA África Sub-16 e Sub-18
- FIBA Americas Sub-16 e Sub-18
-FIBA Ásia Sub-16 e Sub-18
- Eurobasket Sub-16 e Sub-18
-FIBA Oceânia Sub-16 e Sub-18

Como se pode constatar, a Europa apurou 6 selecções, as Americas 4, a Ásia 3, África 2 e Oceânia 1, o que define de uma maneira bem elucidativa onde melhor se trabalha na formação das jogadoras de basquetebol.

Verifica-se que países bem colocados no Ranking mundial, como a Rússia (5ª), Argentina (8ª) e Sérvia (13ª) não foram apuradas para este evento. E os países apurados que mais posições subiram no Ranking jovem feminino foram: Portugal – 14 lugares; Letónia – 10 lugares; Nigéria – 7 lugares e México – 3 lugares. O ranking mundial é o seguinte:

Ranking Mundial Top 13 e seleções apuradas Mundial
1ª USA ( 654 pontos) - 1ª Americas (manteve a posição);
2ª Espanha (490 pontos) - 1ª Europa (manteve a posição);
3ª França (356 pontos) - 2ª Europa (manteve a posição);
4ª Canadá (331 pontos) - 2ª Americas (manteve a posição);
5ª Rússia (325 pontos) - 3ª Europa (não apurada);
6ª Brasil (280 pontos) - 3ª Americas (desceu 1 lugar);
7ª República Checa (202 pontos) - 4º Europa (subiu 5 lugares);
8ª Argentina (181,4 pontos) - 4ª Americas (não apurada);
9ª China (178 pontos) - 1ª Àsia (desceu 1 lugar);
10ª Itália (174 pontos) - 5ª Europa (subiu 3 lugares);
11ª Australia (169 pontos) - 1ª Oceania (manteve a posição);
12ª Japão (161 pontos) - 2ª Ásia (desceu 3 lugares);
13ª Sérvia (121 pontos) - 6ª Europa (não apurada);
14ª Mali (108 pontos) - 1ª África (subiu 2 lugares);
18ª Coreia (98,5 pontos) - 3ª Ásia (desceu 1 lugar);
19ª Mexico (79,4 pontos) - 5ª Americas (subiu 3 lugares);
23ª Portugal (70 pontos) - 12ª Europa (subiu 14 lugares);
31ª Letónia (40 pontos) - 17ª Europa (subiu 10 lugares);
41 ª Nigéria (22 pontos) - 6ª África (subiu 7 lugares).
Temos para nós que, o efeito de ídolo da Ticha Penicheiro através das transmissões televisivas dos jogos da liga profissional norte americana ( WNBA), o êxito organizacional da Associação de Basquetebol do Porto nas provas europeias femininas de jovens realizadas em Matosinhos e o aproveitamento do bom trabalho efectuado em alguns clubes onde se pratica basquetebol feminino são alguns dos principais factores do grande salto qualitativo verificado.
A excelente classificação obtida no Eurobasket Sub-16, aliada ao facto de ter tido uma subida espectacular em termos de ranking internacional, deve ser aproveitada pela Federação para desencadear a montante do sistema um projeto de promoção do basquetebol a nível nacional.

Independentemente, dos resultados e classificação que se venham a obter no maior evento, deste escalão etário, a nível internacional onde estão presentes as 16 melhores selecções à escala mundial, acresce a responsabilidade da entidade federativa em relação à organização futura do basquetebol feminino em Portugal. É uma oportunidade única para se investir no aperfeiçoamento destas jovens, tendo em vista a renovação da selecção nacional senior, sem descurar, naturalmente, a sua formação académica.