Sindicato da Polícia Nacional destaca «adesão extraordinária» nos três dias de greve

Cabo Verde 29-12-2017 22:00
Por Lusa
O presidente do Sindicato da Polícia Nacional (SINAPOL) cabo-verdiana, José Barbosa, destacou a «adesão extraordinária» à greve de três dias que terminou esta sexta-feira, considerando que a classe «demonstrou que algo não está bem» e, por isso, «vai continuar a lutar».

«Tudo decorreu na normalidade, não houve nenhum sobressalto. Durante os três dias conseguimos o nosso propósito, que era demonstrar que o que se passa não está bem», disse José Barbosa.

O responsável sindical disse que durante os três dias a adesão à greve esteve sempre acima dos 90%, sublinhando que houve esquadras em que «a paralisação foi total».

A SINAPOL convocou a greve, a primeira da classe na história do país, após acusar o Ministério da Administração Interna de não ter cumprido um memorando de entendimento assinado em março, no qual se comprometia a atender às reivindicações dos polícias e que levou à desconvocação de uma greve marcada nessa altura.

Os polícias reivindicam atualização salarial, redução da carga horária, introdução de um regulamento de trabalho e pagamento de subsídios.

O Governo cabo-verdiano garantiu que no próximo ano não haverá aumentos salariais para a Polícia Nacional (PN), indicando que, com os respetivos subsídios indexados, teria um impacto de 14 milhões de euros nas despesas do Estado.

Durante a paralisação, os agentes não cumpriram a requisição civil, decretada pelo Governo após falhar acordo com o sindicado para o cumprimento dos serviços mínimos.

O ministro da Administração Interna, Paulo Rocha, garantiu que os incumpridores serão responsabilizados criminal e disciplinarmente, considerando que «não existe Estado dentro do Estado».

José Barbosa disse que a polícia não tinha que respeitar a requisição civil por considerar que foi decretada «na calada da noite e de forma ilegal» por parte do Governo.

Na cidade da Praia, a polícia terminou a greve com uma concentração no largo da Kebra Canela, após três dias em que também se manifestou pelas ruas da capital cabo-verdiana e concentrou-se em muitos outros pontos do país em protesto.

Durante estas 72 horas, enquanto o SINAPOL estimou sempre uma adesão acima dos 90%, o Governo cabo-verdiano referiu que neste último dia «foi de 43,93% em todo o território nacional, mais 3% do que no primeiro».


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