Polícia reafirma falta de condições para negociar com ministro

Cabo Verde 28-12-2017 20:46
Por Lusa
A Polícia Nacional de Cabo Verde cumpre hoje o segundo de três dias de greve, com o sindicato que representa a classe a reafirmar que não há condições para negociar com o Ministro da Administração Interna, Paulo Rocha.

«Não consigo indicar quem, mas com este ministro, repito, não há condições para negociar», reafirmou à agência Lusa o presidente do Sindicado Nacional da Polícia (SINAPOL), José Barbosa, no fim de mais uma marcha da polícia pelas ruas da cidade da Praia.

O representante sindical salientou que a polícia está aberta a negociação, mas que cabe ao Governo indicar outra pessoa ou entidade para o efeito.

No segundo dia de greve, José Barbosa disse que a adesão continua a ser de 99%, garantindo que a luta «vai continuar», com «tudo aquilo que faz parte da liberdade sindical».

O SINAPOL acusa o MAI de não ter cumprido o memorando de entendimento assinado em março, no qual se comprometia a atender às reivindicações dos polícias e que levou à desconvocação de uma greve marcada nessa altura.

Os polícias reivindicam atualização salarial, redução da carga horária, introdução de um regulamento de trabalho e pagamento de subsídios.

O ministro da Administração Interna garantiu na quarta-feira que os agentes que não cumprirem a requisição civil do Governo serão responsabilizados criminal e disciplinarmente.

Questionado pela Lusa vê esta posição como uma ameaça, o presidente do SINAPOL não teceu muitas considerações, dizendo apenas que o ministro «há de saber como responsabilizar mil e tal homens que estão no terreno neste momento».

Dizendo que os agentes estão «motivados», o líder sindical pediu calma, tranquilidade e compreensão à população cabo-verdiana nestes dias de paralisação.

Numa ronda por algumas esquadras da cidade da Praia a Lusa constatou pouco movimento de polícias, nalgumas com a presença apenas do comandante, o graduado de serviço e um ou dois agentes a fazer o trabalho de secretaria.

As exceções são as duas de Achada de Santo António, uma onde funciona o comando regional e muitos serviços burocráticos, e outra a Brigada Anti-Criminal (BAC), onde se regista maior movimentação de pessoas e de polícias a entrar e a sair, quer de carro, quer a pé.

Pelas ruas da capital cabo-verdiana nota-se pouca presença policial, excetuando alguma polícia de trânsito e instruendos do Centro Nacional de Formação (CNE) vestindo casacos de polícia.

Em declarações à Lusa, o presidente do SINAPOL disse que o facto de os instruendos estarem vestidos com roupas de polícia é ilegal, tendo em conta que ainda estão em estágio após os seis meses de formação e que só depois disso serão nomeados e colocados.

Outra ilegalidade que constatou é o facto de os instruendos também estarem nas ruas sem acompanhamento e supervisão de um agente policial, tal como acontece em épocas normais.

Um dos pontos onde dois instruendos faziam patrulha foi numa passadeira no Sucupira, uma das zonas mais movimentadas de pessoas e viaturas na cidade da Praia e onde sempre costumam estar polícias e também um carro que funciona como posto móvel.

A fraca presença policial foi constatada por Ivanilda Monteiro, 36 anos, e com mais de 17 a vender praticamente todos os dias nas imediações no maior mercado informal de Cabo Verde.

Se por um lado a vendedora considerou que a greve é boa porque os agentes estão a reivindicar os seus direitos, por outro, diz que é mau porque deixa o país sem a totalidade da sua segurança, esperando, por isso, que não aconteça algo de grave até amanhã.

O ministro da Administração Interna pediu «razoabilidade, bom senso e responsabilidade» ao sindicato, afirmando que a greve acontece num ano que foi feito um investimento de mais de 3,6 milhões de euros na Polícia Nacional e o país enfrenta dificuldades devido ao mau ano agrícola.

A Direção Nacional da Polícia Nacional (PN) indicou que no primeiro dia a adesão à greve foi de 40,72%, contra os mais de 90% apontados pelo SINAPOL.

A PN informou que, apesar da greve, a situação no país é de normalidade, «não estando em causa a segurança dos cidadãos».
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