Fundo Monetário Internacional preocupado com dívida externa e falta de receitas

São Tomé e Príncipe 05-10-2017 23:27
Por Lusa
O Fundo Monetário Internacional (FMI) avisou, esta quinta-feira, que «as receitas internas de São Tomé e Príncipe continuam a diminuir, o apoio orçamental externo está em queda e o nível da dívida mantém-se elevado».

Num comunicado distribuído após uma visita técnica ao país, o FMI alerta que o orçamento para 2018 deve visar uma maior consolidação financeira, de forma a garantir a «existência de recursos adequados para financiar os setores prioritários designadamente a saúde e educação».

Após uma missão de 15 dias de avaliação do programa de ajuda financeira a São Tomé e Príncipe, o FMI sublinha que será necessário «um rigoroso controlo das despesas» à luz das receitas fiscais, «menos favoráveis do que o projetado».

O FMI sublinha, contudo, que a atividade económica «manteve-se robusta», prevendo-se que o crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) se cifre em 4% ainda este ano e «acelere para 6% a médio prazo».

A missão do FMI analisou com as autoridades o programa económico de três anos apoiado pela Facilidade de Crédito Alargado (ECF, na sigla inglesa).

No comunicado, o FMI considera que «após um ano de 2016 difícil» o desempenho do seu programa com o arquipélago «melhorou e o défice primário interno em 2017 está em linha como o programa».

De acordo com o relatório, a inflação atingiu 6,5% em termos homólogos no final de agosto de 2017, «impulsionada, sobretudo, pelo aumento dos preços dos produtos produzidos localmente, como consequência de uma maior precipitação do que é habitual».

«Em grande medida, as perspetivas a médio prazo são positivas e as projeções apontam para um crescimento real do PIB na ordem dos 6%, assente na atividade robusta nos setores da construção, agricultura e turismo», indica o relatório do FMI.

No comunicado de três páginas, o FMI sublinha a necessidade de o governo de Patrice Trovoada «implementar um plano de reforma para garantir a viabilidade financeira da Empresa de Agua e Eletricidade (EMAE) como passo importante para reduzir o risco fiscal colocado pela empresa pública».

Durante os 15 dias em São Tomé e Príncipe, a missão do FMI teve encontros com o chefe de governo, ministros das Finanças, Comércio e Economia Azul, Negócios Estrangeiros e Comunidades, e Justiça, Administração Publica e Direitos Humanos.

A missão do FMI chefiada por Xiangming Li encontrou-se também com o governador do Banco Central, Hélio Almeida, o presidente do Governo regional do Príncipe, José Cassandra, quadros superiores do governo, representantes do setor privado incluindo bancos, câmara do comércio e parceiros de desenvolvimento.
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